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Avaliação é um dos sinais mais fortes do resultado local — atrás de categoria e proximidade, à frente de quase tudo o que se controla por conteúdo — e é o mais mal lido dos três. Trata-se como placar: quanto maior a nota, melhor. Mas o paciente não lê a nota; lê o texto, e lê numa ordem previsível.

A ordem em que se lê

  1. Quantas são. Antes da nota, o volume. Poucas avaliações com nota perfeita pesam menos que muitas com nota alta mas não perfeita — cinco opiniões são pouco para significar alguma coisa, por melhores que sejam.
  2. A pior. Boa parte dos leitores vai direto às notas mais baixas — em pesquisas de consumo, mais de metade declara procurar especificamente as de uma estrela. Quer-se saber o pior caso antes de decidir.
  3. A resposta à pior. É aqui que a decisão frequentemente se dá. Uma crítica respondida com serenidade vale mais que dez elogios.
  4. Padrões. Se três pessoas reclamam de espera, isso vira fato. Uma reclamação isolada vira ruído.

Por que 5,0 desconfia

Nota perfeita com poucas avaliações lê-se como avaliação de amigos. O paciente é mais cético do que se supõe: sabe que consultório pede avaliação, e desconfia de padrão perfeito demais. Pesquisas de consumo apontam na mesma direção — a propensão de compra costuma atingir o pico numa faixa alta mas abaixo do máximo, e cair ao aproximar-se de cinco estrelas.

Um perfil com nota alta mas não perfeita, com volume razoável e uma ou outra crítica respondida, transmite mais credibilidade que 5,0 com três avaliações.

O que a reclamação costuma dizer

Em consultório, a maior parte das avaliações negativas não é sobre o ato médico: é sobre espera, atendimento telefônico, remarcação, cobrança, informação confusa. Um levantamento norte-americano com dezenas de milhares de avaliações de médicos encontrou a esmagadora maioria das queixas ligada a atendimento, e uma fração pequena à qualidade clínica. É estudo de agência e de outro país — mas a direção coincide com o que se vê na operação daqui.

Isso é uma boa notícia, porque operação se corrige. E é um sinal de leitura obrigatória: reclamação recorrente sobre o mesmo ponto é diagnóstico gratuito do gargalo do consultório.

Responder sem violar sigilo

Aqui está o ponto delicado que diferencia saúde de qualquer outro setor. Ao responder uma avaliação, o médico não pode confirmar que a pessoa é paciente, nem mencionar atendimento, diagnóstico, conduta ou qualquer dado clínico. O sigilo vale mesmo quando é o próprio paciente que expôs o caso publicamente.

Uma resposta segura reconhece o relato, não confirma vínculo e leva a conversa para o canal privado. Algo na linha de: lamentamos a experiência descrita, pedimos que entre em contato pelo nosso canal de atendimento para que possamos entender o ocorrido.

O erro mais caro

Responder uma crítica com a versão dos fatos — "a paciente chegou atrasada", "o procedimento foi explicado" — expõe informação de atendimento em canal público. É o tipo de resposta que transforma uma avaliação ruim num problema ético, e ela costuma nascer do impulso de se defender.

Como pedir

Pedir avaliação é permitido e é a única forma de sair de um volume baixo. O que não se faz: oferecer qualquer contrapartida, filtrar quem é convidado por expectativa de nota, ou pedir texto específico.

O que funciona é pedir a todos, logo depois do atendimento, com um link direto. E responder a todas — inclusive as boas, com uma linha. Perfil que responde sinaliza consultório presente, e isso o paciente lê.

Uma ressalva por especialidade, que quase nunca se faz: onde o tema é estigmatizado — psiquiatria, urologia, parte da ginecologia, infectologia —, avaliar publicamente expõe o paciente muito mais do que uma curtida. Nessas áreas o volume cresce devagar por razão legítima, e nota alta com poucas avaliações não é sinal de descuido.

Perguntas frequentes

Nota 5,0 é bom?

Depende do volume. Cinco avaliações com nota perfeita transmitem menos credibilidade que quarenta com 4,6, porque o paciente sabe que consultório pede avaliação e desconfia de padrão perfeito demais.

Como responder uma avaliação negativa sem quebrar o sigilo?

Sem confirmar que a pessoa é paciente e sem mencionar atendimento, diagnóstico ou conduta. Reconheça o relato, não confirme o vínculo e leve para o canal privado. Responder com a versão dos fatos expõe informação de atendimento em público e transforma uma crítica num problema ético.

Pode pedir avaliação ao paciente?

Pode, e é a única forma de sair de um volume baixo. O que não se faz é oferecer contrapartida, escolher quem convidar por expectativa de nota, ou sugerir o texto.

Quer isto aplicado na sua clínica?

A Messa trata disso em Gestão de Redes Sociais — com o cuidado normativo que este artigo descreve.

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