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Duas fotos lado a lado e o nome do procedimento na legenda. É o formato mais publicado da estética médica, e é exatamente o que o Manual de Publicidade Médica do CFM descarta numa frase: “postagens de resultados de procedimentos ou de antes e depois de forma isolada não são permitidas”.

O que confunde é que a proibição não é do antes e depois. É da forma isolada. O art. 14, II da Resolução CFM nº 2.336/2023 permite demonstrar resultado — sob condições que transformam o post numa peça educativa longa.

As quatro etapas

O Manual do CFM organiza a exigência numa sequência obrigatória. Falta uma, a peça está irregular:

  1. Apresentação da condição. Qual é a enfermidade ou a queixa estética, que o médico é quem diagnostica, quais as possíveis sequelas e as condutas adequadas. Pode ser texto, vídeo ou banco de imagens.
  2. O antes, de ao menos quatro pacientes diferentes. Não é uma foto: são quatro pessoas.
  3. O depois, também de ao menos quatro pacientes diferentes — e, quando possível, mostrando a evolução para diferentes biotipos e faixas etárias.
  4. Resultados insatisfatórios e complicações. Esta é a que ninguém publica, e é obrigatória. Pode ser por ilustração, fotografia ou texto.

As etapas 2 e 3 exigem fotos reais. As etapas 1 e 4 admitem ilustração, imagem de terceiros ou da literatura médica, respeitados direitos autorais e LGPD.

Some-se a isso o que o art. 14, II, “a” pede em torno das imagens: texto educativo com as indicações terapêuticas, os fatores que influenciam o resultado e a descrição das complicações descritas em literatura científica.

Por que a quarta etapa existe

Vale entender a lógica, porque ela explica quase todas as outras regras. Um antes e depois isolado mostra o melhor caso e omite a variação — e o paciente lê o melhor caso como o resultado esperado. Isso é, na definição do art. 11, §2º, “f”, usar imagem “de forma abusiva, enganosa ou sedutora” induzindo à percepção de garantia de resultado.

Mostrar resultado insatisfatório não é confissão de incompetência: é o que separa demonstração educativa de propaganda. Quem publica só o melhor caso está prometendo, e prometer resultado é vedado pelo art. 11, XII.

A imagem: o que se pode e não se pode fazer com ela

O consentimento tem forma, e tem uma proibição junto

A autorização é obrigatória e precisa ser documento firmado, com a finalidade e a abrangência explícitas. O Manual acrescenta duas coisas que costumam surpreender:

Desconto em troca de imagem é proibido

O Manual é literal: é vedada “a concessão pelo médico de qualquer vantagem, seja desconto no valor a ser pago pelo procedimento ou compensação pecuniária, como forma de induzir os pacientes a concordarem com o uso de suas imagens”. O termo tem de registrar a inexistência de contrapartida financeira. E o paciente pode revogar a autorização a qualquer momento e exigir a retirada.

Há ainda a camada da LGPD, que o próprio Manual invoca: dado de saúde é dado pessoal sensível (art. 5º, II da Lei nº 13.709/2018), e imagem clínica é dado de saúde.

O que fazer com um acervo que não cumpre isto

Quase todo consultório de estética tem pastas de antes e depois montadas na lógica antiga: um paciente, duas fotos, o melhor caso. Esse material não vira peça publicável com um ajuste de legenda.

O caminho realista é inverter a ordem de produção. Em vez de publicar o caso que ficou bonito, escolher um procedimento, reunir quatro casos com evoluções diferentes, escrever o texto educativo com as complicações da literatura, e só então montar a peça. Dá uma publicação por procedimento, não uma por paciente — e é o formato que a norma desenha.

Na dúvida sobre a sua peça concreta, consultar a Codame antes de publicar é direito seu, com prazo de 60 dias para resposta.

Perguntas frequentes

Médico pode postar antes e depois?

Médico pode postar antes e depois, mas nunca de forma isolada — o Manual de Publicidade Médica do CFM diz expressamente que postagens de antes e depois isoladas não são permitidas. A peça precisa cumprir quatro etapas: apresentação da condição, o antes de ao menos quatro pacientes diferentes, o depois de ao menos quatro pacientes diferentes, e a descrição de resultados insatisfatórios e complicações.

Quantas fotos são necessárias num antes e depois?

Um antes e depois regular exige imagens de ao menos quatro pacientes diferentes no antes e de ao menos quatro pacientes diferentes no depois, conforme o Manual de Publicidade Médica do CFM. Essas duas etapas precisam ser fotos reais; a apresentação da condição e a descrição de complicações admitem ilustração ou material da literatura médica.

Pode editar a foto de antes e depois?

Editar foto de antes e depois é vedado pelo art. 14, II, “f” da Resolução CFM nº 2.336/2023, que proíbe qualquer edição, manipulação ou melhoramento. O Manual admite apenas recortar, ajustar luz e nitidez e aplicar tarja, desde que a edição não distorça o resultado apresentado — mudar a iluminação entre o antes e o depois é distorcer.

Precisa de autorização do paciente para publicar a imagem?

Publicar imagem de paciente exige autorização em documento firmado, com finalidade e abrangência explícitas — e ainda assim o anonimato é obrigatório, porque o Código de Ética Médica veda exibir paciente reconhecível mesmo com autorização (art. 75). O Manual proíbe oferecer desconto ou qualquer vantagem em troca do uso da imagem, e o paciente pode revogar a autorização a qualquer momento.

Pode publicar antes e depois de mamas ou região íntima?

Imagens que exponham mamas femininas, região glútea ou região íntima são vedadas em redes sociais e em qualquer meio de publicidade de livre acesso, segundo o Manual de Publicidade Médica do CFM. Elas ficam restritas a landing pages com aviso legal de acesso exclusivo a maiores de 18 anos.

Quer isto aplicado na sua clínica?

A Messa trata disso em Produção de Conteúdo — com o cuidado normativo que este artigo descreve.

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