A pergunta chega quase sempre na mesma forma, e parece simples. Ela não tem resposta porque não é uma pergunta — são três.
Quanto as pessoas procuram o que você faz, na região onde você atende. Quanto custa aparecer nessa procura. E quanto vale, para o seu consultório, o paciente que chega por ali. As duas primeiras se consultam antes de gastar um real. A terceira ninguém consulta por você.
A procura é pública e dá para conferir hoje
O Planejador de Palavras-chave do Google mostra quantas vezes um termo foi pesquisado por mês, em média, nos últimos doze meses, e em que faixa de lance tem ficado o topo da página. É gratuito e pede apenas uma conta de anúncios — não é preciso ter campanha no ar nem gastar nada para consultar.
Três especialidades, a mesma capital no termo, consulta feita em outubro de 2026 sobre os doze meses anteriores:
- oftalmologista são paulo — 6.600 buscas por mês, concorrência alta, lance de topo entre R$ 2,64 e R$ 8,27.
- cardiologista são paulo — 1.300 buscas por mês, concorrência alta, entre R$ 3,80 e R$ 11,17.
- ortopedista são paulo — 880 buscas por mês, concorrência alta, entre R$ 4,92 e R$ 14,43.
Entre a primeira e a terceira há sete vezes e meia de diferença em procura — e a terceira ainda custa quase o dobro por clique. Mesma cidade, mesmo mês, mesma ferramenta. É por isso que não existe preço do «marketing médico»: existe o preço da sua especialidade, na sua região.
Procura alta não é, por si, notícia boa
Oftalmologia tem sete vezes mais busca e clique mais barato, e isso não a torna o melhor negócio. Três coisas separam busca de paciente:
- Nem toda busca é de paciente. Um termo genérico recolhe quem procura emprego, quem já tem um médico e quer só o endereço, estudante e fornecedor. Quanto mais largo o termo, maior a fatia que não vai agendar nada.
- Nem todo paciente é o seu. Volume numa cidade de doze milhões não diz nada sobre o seu bairro, o seu convênio ou o procedimento que você faz.
- Concorrência alta é um aviso. Significa disputa — e, em especialidade com clínica grande no páreo, o lance sobe até onde o bolso delas aguentar.
A conta que decide é a de baixo
Custo por clique é o número que todo mundo olha e o que menos importa. O caminho real tem quatro quedas, e o anúncio só responde pela primeira:
- Do clique ao contato. Quantos dos que entraram mandam mensagem ou preenchem o formulário.
- Do contato ao agendamento. É aqui que a maior parte se perde, e quase nunca por preço.
- Do agendamento ao comparecimento. Falta é custo: o clique foi pago, a agenda ficou bloqueada, a receita não veio.
- Do comparecimento ao retorno. O primeiro atendimento raramente paga o anúncio sozinho. Quem paga é o segundo, o terceiro e a indicação.
Faça a conta com números seus, nem que sejam estimados. Se o clique sai a R$ 6, se 3 em cada 100 visitantes entram em contato e se 1 em cada 3 contatos agenda e aparece, cada paciente novo custou cerca de R$ 600 em mídia. Alto ou baixo? Depende apenas do que esse paciente vale ao longo do tempo — e aí a conversa já não é sobre anúncio.
Na mesma consulta, sete dos dez termos que testamos voltaram sem dado nenhum — dermatologista, ginecologista, pediatra e psiquiatra entre eles. Não é que ninguém os procure: a ferramenta omite, agrupa e arredonda conforme a conta que consulta e o histórico dela. Trate o número como ordem de grandeza, boa para decidir se vale testar e ruim para prever faturamento. Quem diz a verdade é a sua própria campanha, algumas semanas depois.
Antes do anúncio, o destino
Anúncio não conserta página ruim: ele a expõe mais rápido e cobra por isso. Se o clique chega numa página lenta, sem o que motivou a busca ou sem caminho óbvio para falar com o consultório, o dinheiro sai igual e o paciente não fica.
Vale conferir, antes de ligar qualquer campanha, se a página abre rápido no celular, diz onde você atende, responde à dúvida que trouxe a pessoa até ali e oferece uma forma clara de contato. Arrumar isso é mais barato do que pagar cliques que batem em porta fechada.
As regras não mudam porque o anúncio é pago
Publicidade de médico segue a mesma norma em qualquer canal: muda o meio, a Resolução CFM nº 2.336/2023 continua valendo. Valor de consulta pode ser informado; valor de procedimento, não. Promessa de resultado, comparação entre profissionais e uso indevido de imagem de paciente seguem vedados, esteja a peça num story ou num anúncio pago.
O detalhe de cada regra, com número de artigo, está em o que o CFM permite na publicidade médica.
Então, quanto custa
Custa o suficiente para valer a pena quando existem três coisas ao mesmo tempo: procura pela sua especialidade na sua região, uma página que recebe bem quem chega, e uma ideia honesta de quanto vale um paciente ao longo do tempo. Faltando qualquer uma delas, qualquer valor é caro — inclusive trezentos reais por mês.
E há um caso em que a resposta honesta é «não comece por aqui»: quando a procura pelo seu termo é pequena. Volume baixo não se resolve com orçamento maior, porque não há o que comprar. Aí o caminho é presença local, conteúdo e indicação — mais lentos, e os únicos que funcionam quando ninguém está procurando.
Perguntas frequentes
Qual é o orçamento mínimo para anunciar no Google sendo médico?
Não existe um valor mínimo universal: o piso é o que compra alguns cliques por dia na sua especialidade. Com lance de topo entre R$ 3 e R$ 15, um orçamento que não compra ao menos um punhado de cliques diários não gera dado suficiente para decidir nada — e decidir com pouco dado é o erro mais caro dessa fase.
Dá para saber quanto custa antes de começar?
Em parte, e vale fazer. O Planejador de Palavras-chave do Google mostra de graça a procura média mensal pelo seu termo e a faixa de lance do topo da página. O que ele não mostra é quanto daquilo vira paciente no seu consultório — isso só a sua campanha responde, depois de algumas semanas.
Google ou Instagram para médico?
São momentos diferentes. No Google a intenção já existe: a pessoa digitou a especialidade porque precisa. No Instagram você interrompe alguém que não estava procurando. Para agenda no curto prazo, a busca costuma render mais; para ser lembrado antes de a necessidade aparecer, a rede social faz o que a busca não faz.
Médico pode anunciar preço no Google?
Valor de consulta, de meios e de formas de pagamento pode ser informado. Valor de procedimento, não — como depende de avaliação prévia, divulgá-lo é tratado como sensacionalismo. A regra é a mesma do site e das redes, e está detalhada no artigo sobre o que o CFM permite na publicidade médica.